Deslizamento no Himalaia soma mais de 1,9 mil desaparecidos, enquanto equipes atuam ainda sob alerta máximo
Órgãos de emergência do Nepal e da China contabilizam nesta sexta-feira (28) ao menos 584 mortos e mais de 1,9 mil desaparecidos após um deslizamento de terra e inundações repentinas na região do Himalaia. Autoridades indianas recuperaram sete corpos que teriam sido arrastados até o país, encontrados em rios próximos à fronteira.
Segundo autoridades locais, os corpos apareceram boiando em cursos d’água dos distritos indianos de Maharajganj e Kushinagar, que fazem fronteira com a região de Chitwan, no sul do Nepal, uma das áreas atingidas pelas enchentes. Gaurav Singh Sogarwal, autoridade distrital de Maharajganj, disse à agência AFP que equipes resgataram quatro vítimas não identificadas na quinta-feira.
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“Acreditamos que eles tenham sido levados para a Índia pelo fluxo das águas vindas do Nepal após as inundações repentinas”, declarou Sogarwal. Outros três corpos foram encontrados em Kushinagar, cerca de 70 quilômetros rio abaixo da fronteira. As autoridades indianas ainda não conseguiram identificar nenhuma das sete vítimas recuperadas até o momento.
Deslizamento no norte do Nepal e no Tibete
O norte do Nepal foi atingido na quarta-feira (26) por um deslizamento de terra descrito como devastador, perto da fronteira com a China. A autoridade de gestão de emergências nepalesa informou nesta sexta-feira que o episódio deixou pelo menos 579 mortos.
As autoridades chinesas relataram cinco mortes na Região Autônoma do Tibete, o que elevou o número provisório de vítimas para 584. O desastre também deixou mais de 1.900 pessoas desaparecidas, segundo o balanço oficial.
As buscas continuam na região afetada, mas o risco de novas inundações e deslizamentos dificulta o trabalho das equipes de emergência e o acesso às áreas mais atingidas. As autoridades nepalesas informaram que forças de segurança, equipes de resgate e civis envolvidos nas operações de socorro devem permanecer em estado de alerta máximo e se deslocar imediatamente para um local seguro, se necessário.
Derretimento glacial mantém regiões em alerta
Na visão do geocientista Jakob Steiner, da Universidade de Graz, na Áustria, que reside em Dhaka, Bangladesh, o cenário permanece delicado. “Ainda há muito derretimento glacial em curso devido às altas temperaturas, e a água está se acumulando em vários pontos, já que certamente haverá muitos detritos e rochas no curso do rio”, afirmou.
Especialistas consultados por agências internacionais, entre eles Steiner e um pesquisador identificado como Zhang, ressaltaram que os alertas precisam ser levados a sério, porque muitos socorristas se colocam em grande risco para tentar encontrar os desaparecidos. Eles consideram, porém, improvável que ocorra no curto prazo uma enchente repentina tão devastadora quanto a registrada na quarta-feira.
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