Especialista detalha a conexão entre o intestino e o cérebro, os riscos dos ultraprocessados e quais nutrientes ajudam a regular as emoções
A relação entre o que colocamos no prato e o funcionamento da mente vai muito além da contagem de calorias. Estudos recentes da neurociência nutricional comprovam que o padrão alimentar interfere diretamente no equilíbrio emocional, na qualidade do sono e na capacidade de concentração.
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Segundo a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, existe uma relação direta entre os nutrientes ingeridos e a estabilidade psíquica: “Enquanto uma dieta equilibrada pode favorecer o funcionamento cerebral, padrões alimentares inadequados podem aumentar a vulnerabilidade emocional. A ciência mostra que a alimentação modula o risco, a intensidade de sintomas e a qualidade do funcionamento cognitivo”.
O impacto dos ultraprocessados no cérebro
O consumo frequente de açúcar e farinhas refinadas gera oscilações rápidas de glicose e insulina no sangue. Essas variações bruscas provocam quedas repentinas de energia, irritabilidade, fome constante e dificuldade de foco.
Além disso, produtos ultraprocessados estimulam processos inflamatórios crônicos e estresse oxidativo, mecanismos que afetam diretamente as regiões cerebrais responsáveis pela regulação do humor e da memória.
Nutrientes vitais e o eixo intestino-cérebro
Dietas baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados — como vegetais, frutas, leguminosas, castanhas e peixes — estão associadas a menores índices de sintomas depressivos e ansiosos. Para operar com eficiência, o cérebro depende de micronutrientes específicos:
- Ômega 3 e gorduras boas: atuam na estrutura dos neurônios e na redução da inflamação.
- Vitaminas do complexo B e Vitamina D: essenciais para a produção de energia e síntese de neurotransmissores.
- Magnésio, ferro e zinco: participam da neurogênese e da estabilidade cognitiva.
Essa engrenagem também depende do intestino, órgão que mantém comunicação direta com o sistema nervoso central. A microbiota intestinal (conjunto de bactérias benéficas) participa da produção de substâncias que modulam a resposta inflamatória do organismo. Um cardápio pobre em fibras desregula esses microrganismos, gerando reflexos negativos no humor.
Via de mão dupla: o efeito do estresse
A relação entre mente e comida funciona nos dois sentidos. Sob estresse crônico, privação de sono ou sobrecarga emocional, o organismo tende a buscar alívio rápido por meio de alimentos hiperpalatáveis, ricos em gordura e açúcar refinado.
Apesar da relevância biológica da nutrição, Flávia Lucena reforça que a alimentação não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário. O cuidado integral com a saúde mental exige a união de uma dieta nutritiva, sono reparador, rotina equilibrada e suporte emocional adequado.
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