Permanecer fora da água gelada foi um dos fatores que contribuíram para a sobrevivência do adolescente
O resgate de Derek Parker Aghnaanga, de 15 anos, após três dias sobre o casco de uma embarcação virada no Mar de Bering, no Alasca, chama atenção para os mecanismos que permitem ao corpo humano resistir a condições extremas. O adolescente foi encontrado na manhã de segunda-feira (7), depois de passar cerca de três dias exposto ao frio intenso. Ele apresentava sinais de hipotermia moderada.
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Derek havia saído para pescar na sexta-feira (4), acompanhado do irmão mais velho e de um primo, nas proximidades da Ilha de São Lourenço. Após a embarcação virar, o adolescente conseguiu permanecer sobre o casco até a chegada do socorro. Os outros dois ocupantes não sobreviveram. Um dos fatores determinantes para a sobrevivência foi justamente a posição de Derek. Permanecer sobre o barco, em vez de ficar diretamente na água gelada, reduziu significativamente a perda de calor. A água retira calor do corpo muito mais rapidamente do que o ar, tornando a exposição prolongada especialmente perigosa.
Como o corpo reage ao frio extremo?
Quando a temperatura externa cai, o organismo aciona respostas automáticas para preservar o chamado núcleo corporal, região onde estão órgãos essenciais como coração, cérebro e pulmões. Uma das primeiras reações é a vasoconstrição periférica, que reduz a circulação sanguínea nas extremidades e concentra o fluxo nos órgãos vitais. Os tremores são outro mecanismo conhecido. As contrações musculares involuntárias produzem calor e ajudam a manter a temperatura corporal nas fases iniciais da exposição. O problema é que essa resposta exige bastante energia e, quando o frio persiste por muito tempo, as reservas do organismo podem se esgotar.
A hipotermia ocorre quando o corpo perde calor mais rapidamente do que consegue produzi-lo. A condição é considerada uma emergência médica e, de modo geral, é caracterizada por uma temperatura corporal central inferior a 35 °C. Conforme a temperatura diminui, os sinais clínicos se tornam progressivamente mais graves. Na hipotermia leve, entre 32 °C e 35 °C, podem surgir tremores intensos, confusão, dificuldade para falar e perda de coordenação motora. Entre 28 °C e 32 °C, os tremores podem diminuir ou desaparecer, enquanto a alteração da consciência se intensifica. Abaixo de 28 °C, o quadro é considerado grave, com risco de perda de consciência, alterações importantes da respiração e dos batimentos cardíacos e parada cardíaca.
Sobrevivência depende de vários fatores
O organismo também pode reduzir o ritmo de algumas funções para economizar energia em situações extremas. Esse processo, associado a outras respostas fisiológicas, pode contribuir para a manutenção das funções vitais durante a exposição prolongada ao frio. A quantidade de gordura corporal, a idade, a condição física e a adaptação prévia a ambientes frios também podem influenciar a resposta do organismo. Nenhum desses fatores, porém, garante proteção contra a hipotermia.
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