No futebol moderno, a linha entre a experiência e o risco físico é extremamente tênue. A rescisão contratual de Jorginho, oficializada nesta semana pelo Figueirense, é o retrato perfeito de um planejamento que priorizou o currículo em detrimento das condições clínicas reais. O que deveria ser a engrenagem cerebral do Furacão para 2026 transformou-se em um fantasma médico, custoso e sem utilidade prática dentro das quatro linhas.
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Contratado sob grande expectativa ainda no fim do ano passado, o armador de 35 anos trazia consigo a promessa de liderança técnica para o Campeonato Catarinense e para a Série C. O que se viu na prática, contudo, foi um melancólico sumiço. Atuar por míseros 199 minutos em uma temporada inteira é um dado alarmante. Significa que o clube investiu tempo, salário e estrutura de recuperação em um atleta que mal completou o equivalente a duas partidas inteiras.
- Inoperância Ofensiva: Zero gols e nenhuma assistência no período em que esteve disponível.
- Apenas uma Titularidade: Incapacidade de suportar a intensidade do jogo desde o apito inicial.
- Retrospecto Discreto: Um desempenho coletivo oscilante nas poucas vezes em que pisou no gramado.
A última aparição do meia aconteceu ainda em janeiro, diante do Camboriú. De lá para cá, o torcedor alvinegro testemunhou um ciclo interminável de boletins médicos: dores musculares crônicas seguidas por uma contusão severa no adutor da coxa.
Para um Figueirense que necessita urgentemente de intensidade e regularidade para sair da terceira divisão nacional, apostar fichas altas em um jogador de 35 anos com histórico clínico instável foi um erro de cálculo do Figueira, com o “selo kaminski” de contratação. O futebol de hoje exige ritmo físico que o talento, isoladamente, já não consegue compensar.
A lição que fica
Vou sempre repetir aqui nesta coluna, e em qualquer lugar que o assunto vier à tona: Figueirense e Avaí precisam parar de contratar medalhões. Se estas contratações ocorrerem, tem que ser um complemento, uma composição de elenco. Uma referência de experiência e liderança dentro da equipe, que não seja um fardo para o clube e que, mesmo fora de campo, atue como um cogestor, somando proatividade e tranquilidade para os momentos que os clubes daqui vivem. Não dá mais para achar que Avaí e Figueirense são colônias de férias.
O desfecho precoce e consensual dessa parceria serve como um duro aprendizado para a diretoria do Scarpelli. Trazer ‘nomes de peso’ para acalmar a torcida pode funcionar no dia do anúncio, mas o campeonato se decide na constância. Ao liberar Jorginho, o Figueirense estanca um prejuízo técnico e abre espaço na folha salarial. Fica a lição de que o Furacão precisa de atletas prontos para o combate físico da Série C, e não de promessas de um futebol que o corpo já não permite entregar.
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