Defesa alegou que comentários foram publicados durante uma alucinação por uso de cogumelos; tese foi negada pelo magistrado
A estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à morte pelo crime de blasfêmia, após fazer insultos ao profeta Maomé, figura sagrada do islamismo. A sentença, segundo ela, foi proferida no dia 16 de setembro e a decisão ainda pode ser contestada na Suprema Corte do Irã. Ela também foi condenada a 12 anos, seis meses e um dia de prisão em um outro processo.
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Segundo a defesa da jovem, a ofensa ao profeta, conhecida pela expressão “sab ol-nabi”, foi feita nas redes sociais em um momento de alucinação de Amini, que estava fazendo uso de cogumelos com os amigos e teria cometido um “deslize verbal”. A versão, porém, não foi aceita pelo magistrado, que questionou por que ela não insultou outras pessoas ou adversários do regime, como Estados Unidos e Israel, se estava nesse estado.
A sentença de morte foi proferida no fim de setembro. A decisão está prevista na legislação iraniana, que pune com pena capital quem fizer ofensas a Maomé e a figuras veneradas no islamismo xiita.
Protestos
A jovem está presa na penitenciária de Vakilabad, em Mashhad, no nordeste do Irã, desde janeiro deste ano, quando foi detida durante protestos relacionados à desvalorização do rial iraniano diante do dólar e a alta do preço dos produtos. Segundo a agência Hrana, do Irã, a prisão aconteceu no shopping Ferdowsi, em Mashhad, e foi marcada pela violência.
Ela permanece detida desde então e o caso mobiliza a Organização das Nações Unidas. Em áudio enviado da prisão à ONU, a estudante pediu ajuda à entidade, a outras organizações de direitos humanos e a advogados. “Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos”, afirmou.
A condenação também preocupa a organização Iran Human Rights. O diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, alertou que o caso pode ampliar o uso da pena de morte contra expressões pacíficas nas redes sociais. O órgão, com sede em Oslo, na Noruega, pede reação internacional e afirma que o Irã já realizou mais de 600 execuções em 2026.
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