1 de setembro de 2026
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Política

Bruno Dias, do PCO, apresenta propostas para Santa Catarina em entrevista à TVBV

Imagem: Flávio Jr. / TVBV Online.

Trabalhador da construção civil, Bruno Dias disputou a Prefeitura de Florianópolis em 2024 e agora concorre ao Governo de Santa Catarina

Dando continuidade a cobertura das eleições 2026 em Santa Catarina da TVBV, nesta terça-feira (1º) o entrevistado no Band Cidade foi o candidato do Partido da Causa Operária (PCO) Brunno Andrade Dias. Ele apresentou durante a entrevista as principais bandeiras da candidatura e a visão do partido para o futuro do Estado. Ele concorre com o número 29 e tem Flávio Amaral como vice. Aos 40 anos, Brunno Andrade Dias tem uma trajetória profissional ligada à construção civil e chega à disputa estadual sem ter ocupado anteriormente um cargo político.

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Nascido em São Paulo, ele construiu a atuação política em Santa Catarina e, em 2024, disputou a Prefeitura de Florianópolis pelo PCO. Dentro da corrida eleitoral a candidatura se apresenta de forma independente em relação aos principais grupos políticos que tradicionalmente disputam o comando do Estado. Com uma trajetória profissional distante da política institucional e uma candidatura construída dentro do PCO, o candidato busca transformar a experiência de trabalhador da construção civil em discurso político e apresentar ao eleitor uma alternativa às candidaturas de maior estrutura partidária.

O candidato do PCO afirmou que a campanha está sendo realizada principalmente com o contato direto com a população. Segundo ele, os militantes fazem diariamente panfletagens, distribuem materiais nas ruas e conversam com os eleitores. ele também destacou a necessidade de arrecadação própria para manter as atividades, já que, segundo ele, o partido ainda não recebeu recursos do fundo eleitoral. “Nós, o PCO, não somos políticos profissionais, somos militantes. Então, todos os dias nós fazemos panfletagens, distribuímos material nas ruas, falamos com as pessoas”, afirmou. Na avaliação do candidato, a receptividade da população tem sido positiva, principalmente diante do discurso de que as mudanças políticas e econômicas não dependem apenas das eleições.

Imagem: Flávio Jr. / TVBV Online.

Bruno defendeu a organização permanente dos trabalhadores e criticou o que considera uma política de enfrentamento da burguesia contra a classe trabalhadora. “Não é possível apenas acreditar nas eleições para mudar a situação política e econômica do país. É preciso fazer uma luta política dos trabalhadores que seja permanente”, declarou. Para ele, o cenário atual também contribui para o descrédito da população com a política, que, segundo sua avaliação, passou a ser marcada principalmente por temas relacionados a prisões e investigações. Ao deixar uma mensagem aos eleitores catarinenses, o candidato afirmou que a transformação do futuro depende da mobilização dos trabalhadores. Ele defendeu a organização da classe trabalhadora e fez críticas ao modelo econômico e político que atribui à burguesia e à influência do imperialismo. “Só o caminho da luta é possível transformar o futuro para uma coisa melhor. E é preciso que os trabalhadores se organizem e implementem essa luta”, afirmou.

Confira as propostas do candidato:

1- Por que o senhor quer ser governador de Santa Catarina?

“Porque sou operário e defendo a luta da classe operária e o programa político do Partido da Causa Operária. O PCO não disputa eleição para fazer promessas. Para nós, a eleição é mais uma tribuna para divulgar as reivindicações dos trabalhadores e denunciar os limites deste regime, que é uma ditadura dos bancos e do grande capital. As conquistas do povo trabalhador não virão do voto, mas da luta e da organização dos próprios trabalhadores. Nossa candidatura defende a revolução, o governo operário e o comunismo”.

2- Quais são as propostas previstas para Educação, incluindo o ensino superior?

“Universidade pública e gratuita para todos, com fim dos vestibulares e livre ingresso. Dinheiro público somente para o ensino público e estatização do ensino pago. A escola fundamental deve formar integralmente os filhos dos trabalhadores, e a creche pública para todos deve ajudar a criança a se desenvolver social e intelectualmente. Defendemos ainda piso nacional de R$ 8,5 mil e jornada de 30 horas semanais para os professores, com eleição dos diretores e de todos os postos de direção pela comunidade escolar”.

Imagem: Divulgação.
3- Na saúde quais são as propostas?

“A saúde deve ser pública, gratuita para todos e sob o controle dos trabalhadores. É preciso acabar com as privatizações e as terceirizações do setor: saúde é obrigação do Estado e não pode gerar lucro para ninguém, muito menos para os monopólios dos planos e hospitais privados. Defendemos mais dinheiro para o SUS, sem limite de gastos para salvar a vida do povo, um plano de emergência para construir hospitais e postos em todo o estado, a volta do Mais Médicos e piso de R$8 mil para os profissionais da saúde”.

4- O que seu plano de governo tem para a segurança pública em geral?

“Em primeiro lugar, a dissolução de todas as polícias e de todo o aparato repressivo. Defendemos uma reforma revolucionária de todo o aparato de repressão do Estado brasileiro e que a própria população seja responsável por sua defesa, por meio de comitês de autodefesa dos trabalhadores da cidade, do campo e das comunidades de índios, com eleição popular e mandatos revogáveis para os postos de investigação”.

Imagem: Flávio Jr. / TVBV Online.
5- Como enfrentar a situação da violência contra a mulher?

“Já existem leis e todo tipo de repressão contra essa violência. Para nós, a violência é um problema geral, ligado à miséria e à opressão que este Estado mantém. A mulher trabalhadora fica presa à violência quando não tem salário, casa nem com quem deixar os filhos. Por isso defendemos emprego, salário mínimo vital, redução da jornada, creche pública em tempo integral, moradia popular e o direito de autodefesa”.

6- Em relação a infraestrutura, o que será feito para incrementar essa área?

“Defendemos a exploração do petróleo com a nacionalização e a Petrobrás 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores, e a riqueza do petróleo aplicada em obras, saúde e educação. Defendemos um plano de obras para rasgar o País de sul a norte e de leste a oeste com ferrovias, portos, estradas, saneamento e moradia popular. Defendemos o progresso do País e o desenvolvimento tecnológico, com redução imediata de 50% no preço dos combustíveis e fim da política de paridade com o dólar”.

7- Como será realizada a geração de empregos estimulando a criação de vagas?

“Redução da jornada de trabalho para no máximo 7 horas por dia e 5 dias por semana, 35 horas semanais, com fim de semana livre e sem redução salarial: trabalhar menos para que todos trabalhem. Um plano de obras públicas, com construção de casas populares sob o controle dos trabalhadores, para empregar quem está sem trabalho. E proibição das demissões, com ocupação e controle dos trabalhadores sobre as empresas que demitirem ou ameaçarem fechar, além de salário-desemprego igual ao último salário recebido”.

Imagem: Divulgação.
8- Sendo que o estado tem 12 mil pessoas em situação de rua, o senhor considera a situação como um problema social, de segurança pública ou os dois e por que?

“É um problema social e não um caso de polícia. Ninguém escolhe morar na rua: essa população foi jogada ali pelo desemprego, pelos salários de fome, pelos despejos e pela especulação imobiliária, que mantém imóveis vazios enquanto milhares dormem na calçada. Tratar o assunto como segurança pública serve apenas para justificar operações de limpeza urbana contra os pobres. Defendemos a expropriação dos imóveis vagos dos especuladores, a proibição dos despejos e um plano de construção de moradias populares”.

9- No que se refere ao Turismo e Cultura quais são as propostas?

“A cultura brasileira é uma das maravilhas do mundo, e o Estado tem a responsabilidade de impulsioná-la e fortalecê-la, não apenas no aspecto comercial. Defendemos investimento público no carnaval, no samba, no futebol e nas festas populares, sob o controle das organizações populares e dos trabalhadores do setor, com o fim dos monopólios e da perseguição às torcidas organizadas. No turismo, estamos ao lado dos trabalhadores da área: contra os contratos temporários, por estabilidade, salário e jornada de 35 horas”.

10- O que está previsto no plano de governo para o meio ambiente?

“A preservação do meio ambiente não pode ser empecilho para desenvolver o País nem pretexto para a ingerência imperialista sobre nosso território e nossas riquezas, como ocorre com a Amazônia e agora com as terras raras. É prioridade explorar petróleo, produzir energia e desenvolver o País, com nacionalização das reservas minerais e controle das organizações populares e dos índios sobre as riquezas do território. Isso, diferente do que prega a propaganda de tipo “ambientalista”, não entra em contradição com a própria preservação ambiental”.

Acompanhe como foi a conversa no Band Cidade da TVBV:

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