Unilever reconheceu que realiza testes com produtos concorrentes e identificou a presença da superbactéria Pseudomonas aeruginosa
Duas denúncias sobre a contaminação microbiológica de produtos de limpeza da Ypê, que tiveram a produção e comercialização temporariamente suspensas, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foram feitas pela multinacional dona de marcas como Omo e e Cif. A informação foi revelada nesta quinta-feira (14) pelo jornal Folha de S. Paulo.
As denúncias, feitas em outubro de 2025 e março de 2026 contra a concorrente Química Amparo, dona de Ypê e Tixan, apontaram a presença da superbactéria Pseudomonas aeruginosa em lava-roupas e detergentes. A contaminação foi constatadas em testes feitos pela Unilever nos produtos concorrentes, descrita pela empresa como “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
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Após as denúncias, a Anvisa realizou duas fiscalizações na fábrica da Ypê em Amparo (SP), que identificaram “falhas graves na produção”. “Foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade”, além da possibilidade de contaminação microbiológica, detalhou a Anvisa ao suspender a produção na fabrica na última quinta-feira (7).
À Folha de S. Paulo, a Unilever afirmou que costuma realizar testes técnicos em seus produtos e às vezes nos da concorrência, uma prática comum entre as indústrias do setor. “A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas. Quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão”, disse. A Química Amparo e a Anvisa não comentaram o caso.
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No documento, a Unilever sustenta ainda que a Ypê já sabia do problema de contaminação pela bactéria e começou a recolher os itens por conta própria nos supermercados, o que teria levado a multinacional a investigar a situação. “A Unilever observa que a Química Amparo, mesmo promovendo recolhimento silencioso dos seus produtos, o que indica ter conhecimento do desvio no padrão microbiológico, segue veiculando forte publicidade justamente do Tixan Ypê Express contaminado, levando o consumidor a adquiri-lo em condições inseguras de uso e manuseio”, disse a multinacional à Folha de S. Paulo.
Mais de 100 lotes contaminados
A Anvisa adiou nesta quarta-feira (13) a análise do recurso apresentado pela Química Amparo contra a suspensão da fabricação, venda e uso de produtos da marca. Com o recurso, a empresa poderia retomar a fabricação dos produtos até a análise, mas optou por não fazê-lo.


De acordo com diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, em fiscalização realizada em abril deste ano, as equipes da Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Municipal de Amparo, encontraram 76 irregularidades na unidade, como a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de 24 produtos diferentes.
Safatle afirmou que a Agência e a empresa têm realizado reuniões técnicas para “mitigação dos riscos sanitários”. A previsão, segundo o presidente, é que a empresa apresente nesta quinta-feira (14) medidas para correção das irregularidades encontradas na fábrica. Durante a última reunão, na terça-feira (12), a Ypê apresentou 239 ações para corrigir as irregularidades apontadas pela Anvisa.
*Com informações de Folha de S. Paulo.
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