6 de julho de 2026
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Morre homem que organizou o próprio velório em vida, após descobrir câncer terminal

Diagnosticado com câncer de estômago em estágio avançado, ele organizou uma festa com música, amigos e familiares para viver a despedida em vida

Morreu, aos 47 anos, Tiago Martins Pitthan, que comoveu milhares de pessoas ao organizar a própria despedida depois de receber o diagnóstico de um câncer de estômago terminal. Ele morreu pouco mais de um mês depois da celebração realizada em vida, na qual reuniu familiares, amigos e convidados para compartilhar histórias, música e momentos de convivência. A morte foi confirmada neste domingo (5). Horas antes, já internado, Tiago publicou um último vídeo nas redes sociais, no qual deixou uma mensagem de despedida. “Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito”, afirmou.

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A festa de despedida aconteceu no dia 30 de maio, em um antigo galpão de uma cervejaria, em Capo Grande (MS). A ideia era transformar um momento tradicionalmente marcado pela ausência, em um encontro de celebração da vida. O evento reuniu amigos, familiares e até pessoas que conheceram a história de Tiago pelas redes sociais, em uma roda de conversa e celebração. A programação foi planejada pelo próprio Tiago e contou com apresentações de bossa nova, samba, rock, flash mob e um aquarelista que registrou o evento em uma pintura feita ao vivo.

Um dos momentos mais simbólicos da despedida foi a apresentação de guitarra feita por Tiago. Mesmo sem nunca ter tocado um instrumento, ele começou a aprender durante o tratamento contra o câncer para realizar um antigo sonho: subir ao palco e tocar ao menos uma vez. O objetivo foi alcançado durante a celebração.

Diagnóstico do câncer

O câncer foi diagnosticado em março de 2024, após meses de sintomas. Durante uma viagem de Réveillon a Bonito (MS), Tiago percebeu que não conseguia mais se alimentar normalmente. Sentia saciedade logo nas primeiras garfadas e apresentava episódios frequentes de vômito. Exames identificaram um adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer de estômago. Inicialmente, a equipe médica planejava retirar o estômago por meio de cirurgia, mas, durante o procedimento, foram encontradas metástases no intestino, no peritônio e sinais de comprometimento pulmonar, tornando inviável o tratamento com intenção curativa.

Após receber o diagnóstico de que a doença não tinha mais possibilidade de cura, Tiago iniciou tratamento paliativo com quimioterapia e imunoterapia para controlar a progressão do câncer e preservar a qualidade de vida. Durante esse período, manteve a rotina pelo maior tempo possível, continuando a trabalhar, praticar atividades físicas e realizar projetos pessoais.

Sonhos realizados antes da morte

Entre os desejos que decidiu realizar nos últimos meses de vida, Tiago desejava voltar a Bonito, onde desceu de rapel até o Abismo Anhumas e, no dia seguinte, fez um salto de paraquedas. Além da despedida em vida, Tiago também organizou questões práticas para facilitar a vida da família após sua morte. Separou senhas, definiu o destino de objetos pessoais e deixou encaminhadas decisões sobre o patrimônio. O único momento que preferiu deixar sob responsabilidade dos familiares foi a cerimônia tradicional de velório.

Nos últimos meses, Tiago voltou a morar em Campo Grande para ficar próximo dos pais. Com o avanço da doença, passou a ser cuidado pela mãe durante o tratamento. Ao longo de todo o processo, Tiago afirmava que não temia a morte, mas o sofrimento provocado pela doença e a possibilidade de perder a autonomia. Enquanto as condições permitiram, dedicou o tempo restante a realizar sonhos, encontrar pessoas queridas e celebrar a própria trajetória, transformando a despedida em um momento de encontro e gratidão.

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