15 de julho de 2026
TVBV ONLINE
Filipe Costeira

O início da era Kactus no Avaí: as palavras de Bernardo Pessi e o trabalho silencioso de Lucas Pedrozo

Imagem: Fabiano Rateke / Avaí F.C.

Como quase que tradicionalmente, as noites de julho tendem a ser frias no nosso rigoroso inverno aqui do Sul. Mas, especificamente na noite desta terça-feira, uma decisão quente estava na mão de pouco mais de 500 sócios que compareceram à Assembleia Geral do Avaí, que definiria de uma vez por todas a venda da SAF do clube para a Kactus Investimentos. Estive por lá acompanhando as mais de três horas de votação, debates e discussões sobre o que deveria, de fato, ocorrer. Conversei com pessoas contrárias e a favor e, já nas conversas, percebia-se uma vontade maior por parte da aprovação.

Dito e feito

Por 411 votos a favor e 108 contra, os sócios adimplentes do Avaí aprovaram a Kactus Investimentos como nova comandante do futebol do clube. A decisão não foi comemorada; ela foi sentida, entendida e pautada em cima da necessidade atual do Avaí. O clima não era de comemoração, mas talvez de expectativa de um certo alívio. Entendo que o “remédio” Kactus precisava ser aplicado em um doente terminal, que merecia, por seu histórico currículo vitorioso e de raça, vencer mais esta batalha para poder voltar a ser digno novamente. E quando falo digno, quero dizer que o Avaí, por seu tamanho e glórias, merece ser respeitado dentro e fora de campo, sem ser achincalhado, processado, judicializado e até mal falado por não cumprir com seus compromissos. O Avaí estava à beira da falência e do abismo do rebaixamento, o que seria um retrocesso de 28 anos.

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O “remédio” Kactus, se administrado de forma correta por quem cuida do Avaí, pode ajudar o clube a se reerguer e voltar a ser forte. É preciso sabedoria, como já disse em outros textos, para que, com segurança e agilidade, o Avaí volte a ser grande não somente por sua história, mas também pelo seu futebol e por ser lembrado por honrar com seus compromissos.

Palavra de Bernardo Pessi

Conversei com Bernardo Pessi ao final da apuração dos votos e do resultado. Pelo que pude perceber, a sensação é de alívio e de vontade de colocar a mão na massa para agir com previsibilidade, sem pensar em apagar incêndios e não pensando somente no dia de amanhã, mas com planejamento a médio e longo prazo. Há muito o que fazer, e o presidente não promete nada que iluda seu torcedor, mas deixa claro que agora o momento é de agir com tranquilidade e cautela. Conversei também com alguns funcionários do clube e a sensação é de alívio.

Entrevista com o presidente do Avaí, Bernardo Pessi. Imagem: Reprodução / TVBV.

O que acontece agora?

A burocracia exige documentação, e esta documentação leva em torno de 60 dias para a formalização do contrato. Mas a resposta maciça nas urnas foi dada e os trabalhos no futebol do Avaí já começaram. Um aporte de R$ 2,5 milhões colocou os salários em dia e devem entrar, nos próximos dias, mais R$ 2,5 milhões, que devem dar fundo às intenções do Avaí de contratar para o segundo turno da Série B. Bernardo Pessi disse, em entrevista EXCLUSIVA para o nosso portal e para o Jogo Aberto SC, que os reflexos da entrada da parceira no Avaí já devem ser sentidos nas próximas movimentações que o clube vai fazer em termos de contratações. Devem ser anunciados mais quatro ou cinco reforços importantes para o restante da temporada, inicialmente para tirar o Avaí da zona de rebaixamento.

Lucas Pedrozo

Muitos não vão gostar do que vou dizer, mas preciso ser honesto e verdadeiro aqui. A busca pela colocação dos salários em dia, a documentação, a negociação com a Kactus e todo o processo de regularização que viveu o Avaí no último mês teve como um dos responsáveis diretos Lucas Pedrozo. O profissional mais criticado e crucificado do Avaí por ter vindo da gestão passada — na qual ele também era funcionário — hoje responde com trabalho a todas as críticas que lhe foram proferidas. Justas ou não, e gostem ou não, Lucas Pedroso é um dos personagens centrais dentro deste processo de transformação que vive o clube junto à Kactus.

Lucas Pedroso. Imagem: Divulgação.

Dito isso!

A discussão sobre a SAF no Avaí chega ao fim, e chega ao fim com um final que representa o início de uma nova era que eu espero que seja de prosperidade. Nós dependemos do sucesso do futebol dos clubes da capital; eles são o nosso maior produto e é muito mais interessante ver Avaí e Figueirense no auge do que em baixa. Que a Kactus seja o remédio na dose certa para tirar o Avaí da situação crítica em que se encontra. Seguimos.

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