16 de julho de 2026
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Policial

Operação contra a farra do boi revela aves silvestres mantidas ilegalmente em Florianópolis

Foto: PCSC
Com apoio de lanchas para acessar a comunidade da Costa da Lagoa, policiais apreenderam aves silvestres durante operação que investiga a prática da farra do boi no tradicional bairro da ilha

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu, na manhã desta quinta-feira (16), nove mandados de busca e apreensão durante a segunda fase da operação que investiga uma farra do boi realizada na Costa da Lagoa, em Florianópolis. A operação resultou na apreensão de celulares, documentos e aves silvestres mantidas de forma ilegal. O material será analisado e deve ajudar no avanço do inquérito, que também investiga crimes de maus-tratos a animais, associação criminosa, lesão corporal e coação.

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Aves silvestres foram encontradas durante as buscas

Durante a operação e investigação da prática da farra do boi na região, os policiais encontraram diversas aves silvestres mantidas em cativeiro sem a documentação exigida por lei. Alguns animais não possuíam anilhas de identificação e outros apresentavam anilhas cuja origem ainda será verificada.

As aves foram apreendidas e encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passarão por avaliação veterinária. O objetivo é verificar se elas poderão ser devolvidas à natureza ou se precisarão permanecer sob cuidados especializados. Além dos animais, celulares e documentos também foram recolhidos e passarão por perícia.

Desdobramentos da Operação Acabou a Farra

Segundo a Polícia Civil, a operação desta quinta-feira é uma continuidade das investigações iniciadas em maio, quando foi deflagrada a Operação Acabou a Farra. Na época, a polícia identificou um grupo suspeito de organizar uma farra do boi no bairro da Costas da Lagoa. As investigações apontam que, durante a madrugada de 28 de abril, um boi foi transportado de barco até a comunidade para ser utilizado na prática ilegal.

Após o episódio, o animal teria sido deixado amarrado em um espaço público. Moradores da região libertaram o boi e denunciaram o caso às autoridades, dando início às investigações.

Além dos maus-tratos aos animais, a Polícia Civil investiga denúncias de que moradores da comunidade teriam sido ameaçados após denunciarem a realização da farra do boi às autoridades. Com o material apreendido nesta quinta-feira, os investigadores pretendem identificar outros possíveis participantes e avaliar a necessidade de novas fases da operação.

Mandados foram cumpridos em dois bairros

A ação foi coordenada pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio da Polícia Militar Ambiental. Dos nove mandados expedidos pela Justiça, oito foram cumpridos na Costa da Lagoa e um no bairro Ingleses, no Norte da Ilha.

Como a Costa da Lagoa é uma comunidade de difícil acesso, onde só é possível chegar por barco ou por uma trilha, as equipes utilizaram lanchas para realizar as buscas.

Farra do boi é considerada crime

A farra do boi é considerada crime no Brasil e está proibida em Santa Catarina desde 1997, quando o Supremo Tribunal Federal (STF), entendeu que a prática submete os animais à crueldade e, por isso, viola o artigo 225, § 1º, inciso VII, da Constituição Federal, que determina ao poder público proteger a fauna e proíbe práticas que submetam os animais a maus-tratos.

A proibição foi reforçada no ano seguinte com a entrada em vigor da Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A legislação prevê sanções para quem pratica, promove, incentiva ou contribui para atos de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais. Atualmente, o crime estabelece pena de detenção, multa e outras penalidades previstas na legislação.

De origem ligada às tradições açorianas, a farra do boi foi realizada durante décadas em comunidades do litoral catarinense. A prática consiste em soltar um boi para que ele seja perseguido, acuado e provocado por grupos de pessoas até a exaustão, causando intenso sofrimento físico e psicológico ao animal. Por esse motivo, deixou de ser reconhecida como manifestação cultural protegida e passou a ser enquadrada como uma prática ilegal de maus-tratos pela Justiça brasileira.

Carro pega fogo na garagem e assusta família durante a madrugada

Incêndio teria iniciado ‘do nada’, pois veículo não havia sido utilizado no dia anterior

Um carro pegou fogo, aparentemente “do nada”, enquanto estava estacionado no interior da garagem de uma residência em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. O incêndio ocorreu no meio da madrugada desta quinta-feira (16) e provocou um grande susto nos moradores, que estavam dormindo no momento.