23 de julho de 2026
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Brasil bate recorde de feminicídios e SC tem alta na violência contra mulheres

Foto: Arquivo/Marcos Santos/USP
Estado lidera em número de ameaças e está entre os 5 piores em violência psicológica e lesão corporal

O número de feminicídios no Brasil bateu um novo recorde em 2025, com 1.571 vítimas, o equivalente a 4,3 mortes por dia. Os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), apontam que 44,4% das mulheres assassinadas no país foram mortas por razões de gênero – o maior percentual desde que o feminicídio entrou para o Código Penal brasileiro, em 2015.

Os casos de feminicídio no ano passado, segundo o levantamento, tiveram uma alta de 4% em relação a 2024, chegando a uma taxa nacional de 1,4 vítimas por grupo de 100 mil mulheres. O crescimento das tentativas de feminicídio foi ainda maior: 5,9% em relação a 2024, sendo 4.189 mulheres sobreviventes a atentados contra a vida.

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Somados, os números representam 5.760 casos de mulheres vítimas de feminicídios, tentados ou consumados, que chegaram à polícia. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas do país, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente. Já as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram menores níveis de violência letal de gênero.

Santa Catarina se destaca em índices negativos

Em Santa Catarina, o Anuário da Segurança Pública catalogou 53 feminicídios em 2025, frente a 51 em 2024. São 1,3 mulheres mortas em função de gênero a cada 100 mil mulheres, taxa que cresceu 2,3% de um ano para o outro – a 16ª maior do Brasil.

Apesar de os números estarem abaixo da média nacional, SC supera o Brasil na proporção de feminicídios em relação aos homicídios de mulheres. Enquanto 44,4% das mulheres foram assassinadas em função de gênero no país inteiro, essa proporção chega a 62,4% no estado catarinense.

Santa Catarina lidera a taxa de ameaças contra mulheres no Brasil. Com 71.697 registros, foram 1.733 para cada 100 mil mulheres em 2025, taxa mais que o dobro da média nacional de 720,9. O estado também apresenta a 4ª maior taxa de casos de violência psicológica, empatado com o Rio Grande do Sul – 117,5 ocorrências por 100 mil mulheres frente a 55,6 em todo o país.

Posição de SCIndicadorTaxa por 100 mil mulheresVariação frente a 2024Média nacional
Ameaça contra mulheres1.733,0+9,8%685,3
Violência psicológica117,5+9,9%57,3
Lesão corporal dolosa em violência doméstica449,6+5,3%308,0
Perseguição (stalking)161,5+8,8%82,8
Descumprimento de medida protetiva de urgência*93,8+8,2%51,8
11ºTentativa de feminicídio4,9+6,5%5,3
13ºTentativa de homicídio de mulheres10,4+0,7%10,7
16ºFeminicídio1,3+4,8%1,5
26º (2ª menor do país)Homicídios de mulheres2,1-0,5%2,9

 * Taxa por 100 mil habitantes. Os demais indicadores utilizam taxa por 100 mil mulheres.

O Anuário ressalta que os números refletem apenas as ocorrências registradas pelas polícias e não representam a totalidade da violência sofrida pelas mulheres. O estudo defende o fortalecimento de políticas de prevenção precoce para combater este tipo de crime.

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