4 de setembro de 2026
TVBV ONLINE
Segurança

A notícia impacta no enfrentamento à violência contra as mulheres, defende escritora

Foto: Arquivo/ Agência Brasil
Autora de Guia de Boas Práticas Para a Cobertura Jornalística de Casos de Violência Contra as Mulheres destaca a necessidade de responsabilidade e cuidado da imprensa com o tema

A violência contra as mulheres tornou-se um ponto chave quando o assunto é segurança pública no Brasil. No ano passado, o país bateu mais um recorde de feminicídios, com uma média de 4,3 assassinatos por dia, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em Santa Catarina, somente em 2026 até agora, 35 mulheres tiveram a vida interrompida justamente por serem mulheres.

Ao levar estes casos ao público, a imprensa tem a oportunidade de promover consciência e transformação sobre este tipo de comportamento, ou contribuir para reforçar estigmas sobre as vítimas. Neste contexto, o jornalista deve ter a responsabilidade de reduzir danos adicionais a essas mulheres e suas famílias, além de fornecer informações que ajudem a identificar e combater as diferentes formas de violência de gênero.

> Siga nosso canal no WhatsApp e receba as notícias do TVBV Online em primeira mão

É o que defende a professora Melissa Amaral, autora do Guia de Boas Práticas Para a Cobertura Jornalística de Casos de Violência Contra as Mulheres, publicado neste ano em uma iniciativa da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert) com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ela concedeu uma entrevista sobre o assunto nesta sexta-feira (4) ao SC Acontece da TVBV (assista abaixo) e também ao portal TVBV Online.

Foto: Fernando Bortoluzzi/TVBV Online

Segundo Melissa, noticiar casos de violência contra mulheres demanda uma responsabilidade e um cuidado especiais do profissional de imprensa. “Todos nós temos o machismo dentro de nós, fomos criados dentro de um sistema patriarcal, então temos essas questões estruturais da nossa sociedade. E nós, em veículos de imprensa e de comunicação, temos a obrigação de informar de uma forma a tirar o foco da vítima e colocar o foco não apenas no agressor, mas também nas questões da sociedade”, explica a escritora.

Mas, afinal de contas, que questões são essas? O que se quer dizer quando alguém afirma que uma mulher “foi morta somente pelo fato de ser mulher?”. É justamente este tipo de contexto que a boa cobertura jornalística deve levar em consideração.

Desde que a gente dominou a agricultura, e que o homem descobriu que ele tinha papel na fecundação da mulher na reprodução, desde ali que a mulher é relegada ao papel de estar dentro de casa. E por isso a dominação masculina é tanta que ‘eu tenho direito de tirar tua vida, por você ser mulher’.

É este senso comum, que se perpetuou ao longo da existência da humanidade, que leva o homem do século XXI a ainda acreditar que tem o direito de matar uma ex-companheira por não aceitar o fim da relação. “O homem considera que tem poder sobre a vida da mulher, e começa desde a violência mais simples, como a violência patrimonial.Eu tenho o direito de estragar as suas coisas, o seu celular, quebrar teu carro, eu tenho o direito disso porque você é submissa a mim'”, exemplifica Melissa.

Ao inverter os papéis desta dinâmica, fica até difícil comparar o número de episódios de homens que foram mortos somente por serem homens, o que leva a uma necessidade também de a imprensa noticiar esses casos a partir de uma perspectiva diferente. “Mas não tem mulher que mata o marido? Tem, mas não chega a 1% dos casos. Mas também não existe essa situação de dominação da mulher sobre o homem”, acrescenta.

A proposta central do guia elaborado por Melissa é promover a qualificação e a conscientização da imprensa para que ocupe um papel ativo na prevenção e no enfrentamento da violência contra as mulheres. Isso significa evitar vícios de cobertura que espetacularizem esses casos ou acabem justificando o comportamento do homem. “O papel da gente como meio de comunicação é de informar as formas de violência e como começam. Não apenas informar quando a mulher morre, mas tentar agir na base do problema”, destaca a autora.

Confira a entrevista no SC Acontece

Temporais nesta sexta (4) abrem feriadão de frio intenso em SC

Estado terá temperaturas mínimas abaixo de 5°C, com valores de até -6°C na Serra

O feriadão do Dia da Interpendência será marcado pelo retorno do frio intenso a Santa Catarina. A virada no tempo começa já nesta sexta-feira (4) com a ocorrência de temporais pelo estado, resultado da atuação de uma frente fria que abre caminho para o avanço de uma massa de ar de origem polar.