Natural de Xaxim, candidato construiu carreira política no Oeste catarinense e exerceu três mandatos como deputado estadual
Com uma trajetória de mais de três décadas na vida pública catarinense, Gelson Merísio voltou a colocar o nome à disposição do eleitor para disputar o Governo de Santa Catarina. Candidato pelo PSB, ele foi entrevistado nesta quinta-feira (03) pelo Band Cidade, da TVBV, onde falou sobre a experiência política, avaliou os desafios do Estado e apresentou as principais propostas para uma eventual gestão. A chapa tem Ângela Albino (PDT) como candidata a vice. Já coligação é formada pelo PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e Federação PSOL/Rede.
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Natural de Xaxim, no Oeste catarinense, Merísio iniciou a carreira política como vereador de Xanxerê, no fim dos anos 1980. Formado em Administração de Empresas, também teve atuação no setor empresarial antes de chegar à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. No Parlamento estadual, exerceu três mandatos como deputado e ocupou a presidência da Alesc em diferentes períodos. Ao longo da carreira, Merísio também ganhou destaque pelo desempenho eleitoral. Em 2014, foi o deputado estadual mais votado da história de Santa Catarina até então, com cerca de 119 mil votos. A experiência no Legislativo incluiu ainda momentos à frente do Governo do Estado de forma interina. Em 2018, o político disputou pela primeira vez o Governo de Santa Catarina. Pelo PSD, terminou o primeiro turno na liderança, mas perdeu a eleição no segundo turno para Carlos Moisés.
Segundo o candidato, percorrer o estado também está servido para aprofundar o conhecimento sobre a realidade catarinense e discutir propostas para melhorar a vida da população. “Voltar agora é um desafio que me permite muita dedicação para entender novamente os números do Estado, para ter de fato condições de aprofundar o debate”, afirmou. Ele destacou a posição política adotada na disputa e declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, o atual momento exige experiência e continuidade no governo federal, enquanto a campanha busca apresentar alternativas para Santa Catarina. “Eu vou fazendo o meu trabalho aqui, procurando mostrar aquilo que eu entendo que poderia ter sido feito melhor pelo Estado”, disse.
Na avaliação de Merísio, o eleitor deve analisar de forma aprofundada a gestão estadual, especialmente a aplicação dos recursos públicos. Ele citou o aumento da arrecadação e defendeu que os recursos sejam direcionados para projetos estruturantes, capazes de gerar novos investimentos e crescimento econômico. “O que nós precisamos é de um projeto de Estado, um projeto de crescimento que permita, pelo próprio investimento, um novo crescimento”, afirmou.
Conheça as propostas do candidato:
1. Por que o senhor quer ser governador de Santa Catarina?
“Quero ser governador porque Santa Catarina tem condições de ser o melhor estado do Brasil em todos os indicadores. Temos recursos, mas escolhas políticas erradas pulverizam investimentos e impedem resultados concretos. Quero organizar as prioridades, integrar as ações do governo e aplicar melhor o dinheiro público, para que o catarinense perceba os resultados no seu dia a dia”.
2. Quais são as propostas para a Educação? “
A primeira prioridade é valorizar os professores. Não podemos ter tanto dinheiro em caixa e pagar o 23º salário. Temos o pior Ensino Médio da região Sul, com 12º lugar no Ideb, e apenas 15% das matrículas no ensino médio técnico. Também precisamos reduzir a dependência de temporários: só 27% dos professores são efetivos. No ensino superior, vamos fortalecer a Udesc e integrar as políticas educacionais”.
3. Na Saúde, quais são as propostas?
“Não podemos continuar com a ambulancioterapia, sobrecarregando os grandes centros e obrigando pacientes a percorrer grandes distâncias. Precisamos regionalizar consultas, exames e procedimentos de média e baixa complexidade. Assim, os grandes hospitais poderão se concentrar nos casos mais graves. A fila de cirurgias aumentou 10% no atual governo e chega a 116 mil pessoas, o que mostra a urgência de mudar o modelo”.
4. O que está previsto para a Segurança Pública?
“Precisamos aumentar o efetivo das polícias, que vem sendo reduzido e hoje é menor do que em 2023. Não basta comemorar a taxa de homicídios. Segurança também envolve feminicídio, violência doméstica e tentativas de homicídio. Santa Catarina está entre os estados com maiores índices nesses crimes. Precisamos recuperar efetivos, fortalecer a prevenção e melhorar os indicadores de segurança como um todo”.
5. Como enfrentar a violência contra a mulher?
“Precisamos garantir atendimento desde os primeiros sinais de violência. Hoje não temos nenhuma Delegacia da Mulher funcionando 24 horas, nem atendimento regular aos fins de semana. A mulher precisa ter onde buscar ajuda com privacidade e acolhimento. Para isso, vamos ampliar o efetivo da Polícia Civil e fortalecer a rede de proteção, integrando segurança, assistência e saúde”.
6. O que será feito na Infraestrutura?
“Precisamos parar de tratar manutenção e zeladoria como se fossem grandes obras. Santa Catarina tem gargalos logísticos que exigem obras estruturantes, especialmente duplicações e ampliações. Não basta melhorar o asfalto e a sinalização. Precisamos ampliar a capacidade das rodovias e enfrentar os problemas regionais, especialmente no Oeste, com planejamento e investimentos que acompanhem o crescimento do Estado”.
7. Como gerar empregos?
“Santa Catarina acompanha os dados do Brasil, que conta com a menor taxa de desemprego da série histórica. O principal desafio agora é qualificar nossos jovens para ocupar as vagas que já existem. Precisamos ampliar fortemente o ensino técnico, aproximando a formação das necessidades das empresas. Com mão de obra mais qualificada, aumentamos a produtividade, os salários e as oportunidades para os catarinenses”.
8. Como enfrentar a situação da população em situação de rua?
“Moradores em situação de rua são, antes de tudo, um assunto social e de saúde pública. Não podemos criminalizar alguém por estar em uma situação de vulnerabilidade. Quando houver crime, a segurança pública deve agir, mas a solução exige integração entre saúde, assistência social e segurança. O Estado também precisa apoiar os municípios, que enfrentam esse problema diariamente”.
9. Quais são as propostas para Turismo e Cultura?
“Vamos ter secretarias específicas para Cultura e Turismo. A cultura gera retorno econômico e também ajuda a abrir oportunidades para nossos jovens. No turismo, precisamos recuperar a imagem de Santa Catarina e investir em estrutura. Quando o governo associa o Estado à violência, afasta visitantes. Cabe ao Estado garantir boas condições de mobilidade, saneamento e serviços para receber turistas”.
10. O que está previsto para o Meio Ambiente?
“O meio ambiente não pode ser tratado isoladamente. As mudanças climáticas exigem integração entre meio ambiente, infraestrutura, agricultura, saúde e desenvolvimento econômico. Precisamos promover crescimento sem destruir nossos recursos naturais, apoiando os municípios e usando melhor os instrumentos e empresas públicas que o Estado já possui. Desenvolvimento e preservação precisam caminhar juntos”.
Acompanhe como foi a conversa no Band Cidade da TVBV
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