O professor levou ao Band Cidade a visão do PSTU para os principais problemas enfrentados pelos catarinenses
O jornal Band Cidade, da TVBV, recebeu nesta quarta-feira (2) mais um candidato ao Governo de Santa Catarina na série de entrevistas que apresenta ao eleitor os nomes que disputam o comando do Estado nas eleições deste ano. O entrevistado foi o professor Marcus Sodré, candidato do PSTU, que falou sobre propostas, prioridades e os principais desafios que pretende enfrentar caso seja eleito. Aos 54 anos, Marcus Alexandre Sodré é professor de História da rede pública estadual e municipal e tem a trajetória política ligada ao movimento sindical da educação.
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Ele já integrou a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC) e disputou outras eleições pelo PSTU: foi candidato a prefeito de Itajaí, em 2004, e concorreu a deputado estadual em 2010 e 2014. Na disputa deste ano, Sodré tem como vice a professora Tatiane Pasdiora, conhecida como Professora Taty. A chapa do PSTU foi lançada sem coligação e defende propostas voltadas principalmente aos trabalhadores, com mudanças nas relações de trabalho e críticas ao modelo econômico atual.
O candidato do PSTU avaliou positivamente o andamento da campanha e destacou o aumento da exposição na imprensa após aparecer com 2% de intenção de votos em uma pesquisa eleitoral. Segundo ele, a maior visibilidade tem ampliado o espaço para apresentar as propostas da candidatura. “Temos recebido muito apoio, muito telefonema, sobretudo de professores, mas também de estudantes e de trabalhadores de uma maneira geral. A campanha tem crescido bastante”, afirmou.
Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas pela candidatura, ressaltou a estrutura reduzida do partido e a falta de espaço na propaganda eleitoral. “A campanha do PSTU é uma campanha pequena, nós somos um partido pequeno, mas temos um programa para Santa Catarina e para o Brasil”, declarou. Ele também lamentou que, apesar de aparecer nas pesquisas, o partido não terá presença diária no rádio e na televisão e não será incluído nos debates. Diante desse cenário, o candidato pediu que os eleitores procurem as redes sociais do partido para conhecer as propostas. “Para que o trabalhador catarinense e a população, de uma maneira geral, nos conheçam, é preciso ir às redes sociais do PSTU”, disse.
Confira as propostas do candidato:
1- Por que o senhor quer ser governador de Santa Catarina?
“É um projeto coletivo, fui escolhido para apresentar aos trabalhadores catarinenses um programa para resolver os principais problemas da classe. É preciso se organizar para enfrentar os interesses dos ricos e poderosos de Santa Catarina. Precisamos acabar com a renúncia fiscal para as grandes empresas, reestatizar todas as empresas privatizadas e as empresas estratégicas para o nosso desenvolvimento e termos dinheiro para investir em moradia, educação, saúde, saneamento básico, agricultura familiar, segurança, transporte. Não será simplesmente votando que os problemas serão resolvidos”.
2- Quais são as propostas estão previstas para a Educação, incluindo o ensino superior?
“Na área da educação precisamos destinar verbas públicas somente para a escola pública e dessa forma precisamos estadualizar o sistema ACAFE. No ensino fundamental e médio é preciso garantir de verdade a valorização dos trabalhadores com a descompactação da tabela salarial, 50% de horas atividades, garantir que os diretores eleitos pela comunidade escolar serão empossados, sem quórum mínimo, investir na reforma, manutenção e construção de novas escolas ouvindo os trabalhadores e a secretária de educação precisa ser alguém do chão da escola, não uma especialista”.
3- Na Saúde quais são as propostas?
“Dobrar o orçamento da Saúde para atendimento de qualidade, acabar com as filas, inclusive de especialistas. Lutar pelo investimento nacional de 10% do PIB na saúde. Garantir saúde 100% pública, gratuita e de qualidade. Retomar o Hospital Florianópolis e demais unidades de saúde que foram privatizadas. Atendimento de saúde em todos graus de complexidade. Ampliação das unidades de atenção, hospitais gerais, pediátricos e leitos de UTI. Estatização das grandes redes de saúde privada. Valorizar os trabalhadores da Saúde, atender as suas reivindicações e fazer concursos públicos”.
4- O que o seu plano de governo tem para a Segurança Pública de uma maneira geral?
“O problema da segurança pública está ligada à outros problemas sociais, como a criminalização das drogas, a repressão, o desemprego, os baixos salários, a falta de serviços públicos e a falta de lazer e cultura. Defendemos a legalização das drogas e seu controle estatal para acabar com o narcotráfico, garantir campanhas de saúde e criação de centros de recuperação de dependentes químicos. Em relação a polícia Militar somos favoráveis a desmilitarização e a unificação das polícias estaduais numa única polícia civil com livre organização sindical destes e eleições para os chefes de polícia”.
5- Como enfrentar a situação da violência contra a mulher?
“Acabar com o capitalismo que promove todas as opressões. Exigir do governo federal a aplicação de 1% do PIB em políticas de combate à violência contra as mulheres. O governo do estado deve ampliar a verba do combate a violência contra a mulher. Combater o discurso de ódio contra as mulheres de movimentos da extrema direita como Red Pill. Criação de delegacias da mulher 24 horas, 7 dias da semana, pois a violência não tem hora para acontecer. Criação de casas de acolhimento e oferecer condições para a independência financeira das mulheres, acompanhamento psicológico jurídico e multidisciplinar”.
6- Em relação a Infraestrutura, o que será feito para incrementar essa área?
“Redução da tarifa, rumo à tarifa zero. Criação de mais linhas e horários. Garantir integração intermunicipal nas regiões metropolitanas. Estatização do transporte coletivo sem indenização e sob controle dos trabalhadores do transporte e usuários. Estabilidade no emprego e valorização dos trabalhadores do transporte. Nova rodovia ligando o norte do estado ao Contorno Viário de Florianópolis. Duplicação das rodovias estaduais, respeitando as terras indígenas, quilombolas e a natureza. Fim dos pedágios! Por mais ciclovias, ferrovias, metrôs e VLT para o transporte de cargas e de passageiros.
7- Como será realizada a geração de empregos estimulando a criação de vagas?
Um plano de obras públicas, controlado pelos trabalhadores, para geração de empregos para a população. Um plano para construir hospitais, postos de saúde, escolas e creches, casas populares, obras de saneamento, investimentos preventivos e para socorro contra as enchentes, vendavais e secas. Obras de infraestrutura necessárias para o povo, e desta forma, gerar emprego e renda. Defendemos o finda escala 6 X 1. Revogação das privatizações e terceirizações dos serviços públicos e das empresas públicas. Defendemos CELESC, CASAN, SC GÁS, CIASC, EPAGRI e CIDASC 100% públicas.
8- Sendo que o estado tem mais de 12 mil pessoas em situação de rua, o senhor considera a situação como um problema social, de segurança pública ou os dois e por que?
“É um problema social, os moradores de rua são vinculados a miséria e atribui-se a culpa da sua situação aos indivíduos, enquanto se desconsideram as desigualdades produzidas pelo sistema econômico. A Assistência Social deve ser entendida como direito. Defendemos ampliação dos recursos; reestruturação dos CRAS e CREAS; fim da terceirização da assistência social, contratando profissionais por meio de concurso. Valorização destes profissionais, com salário digno, programa de capacitação continuada e plano de carreira. Implantação de restaurantes populares em regiões socialmente vulneráveis”.
9- No que se refere ao Turismo e Cultura quais são as propostas?
“Propomos um turismo sustentável, com trabalho e renda para a população local, além do incentivo às festas populares, à cultura e ao lazer nos bairros, garantindo que a cultura não seja privatizada. Defendemos o incentivo público às festas locais e populares. Mais investimentos em cultura, com construção e melhoria de museus, teatros, bibliotecas, centros culturais. Acessibilidade, concursos públicos, valorização dos trabalhadores da cultura, liberdade artística e preservação do patrimônio histórico; valorização das culturas negra e indígena. Defendemos toda a liberdade em arte e cultura”.
10- O que está previsto no plano de governo para o meio ambiente?
“Defendemos o fim do desmatamento! Em defesa da nossa fauna, flora e rios. Reforma agrária, já! Estatização sob controle dos trabalhadores do agronegócio que tem sua produção voltada para o mercado internacional e não para atender as necessidades do povo brasileiro! Estatização sob controle dos trabalhadores das grandes empresas que cometem crimes ambientais! Por um plano de saneamento ambiental estadual, que seja debatido e deliberado democraticamente pelos trabalhadores e o povo pobre nos conselhos populares, visando à universalização do seu acesso”.
Acompanhe como foi a conversa no Band Cidade da TVBV:
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