23 de julho de 2024
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Política

Programa Universidade Gratuita tem vitória na Justiça e será mantido

Desembargadores votaram em unanimidade pela extinção do pedido de inconstitucionalidade no TJSC

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) votou por extinguir o processo que questionava a legalidade do programa Universidade Gratuita. A decisão foi tomada de forma unânime nesta quarta-feira (6) pelos desembargadores que compõem o Órgão Especial do TJSC. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) havia sido movida pela Associação das Mantenedoras Particulares de Educação Superior de Santa Catarina (Ampesc).

A decisão foi baseada na tese levantada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SC), de que a Ampesc não é “parte legítima” para propor a ação. Isso porque, segundo os argumentos do Estado, a entidade afirma que “congrega pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituições de ensino superior do Estado e enquadra-se, portanto, entre as entidades de classe de âmbito estadual”. No entanto, tal comprovação deve ser feita por meio de documentos – que não foram apresentados ao longo do processo -, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em ações que tramitaram na corte.

“A entidade não é autorizada pela Lei para propor a ação desta forma nem este tipo de ação. Isso traz tranquilidade aos alunos que já fazem parte do programa Universidade Gratuita, que segue com a presunção de que é plenamente constitucional”, explica o procurador-geral do Estado, Márcio Vicari.

 

Vicari realizou sua sustentação oral na sessão desta quarta-feira. Da tribuna, ele afirmou que “a autora não comprova abrangência espacial exigida pelo inciso VI do artigo 85 da Constituição do Estado de Santa Catarina e pelo inciso VI da Lei Estadual 12.069/2001, limitando-se a extrair sua representatividade da declaração formal contida em seu estatuto”.

Em seguida, o relator do processo, desembargador Ricardo Fontes, proferiu seu voto – que foi acompanhado de forma unânime pelos integrantes do colegiado. Segundo ele, considerando os precedentes do STF e da própria corte catarinense, “os autores devem demonstrar interesse na propositura da ação com base na sua finalidade institucional”.

“Exige-se para a legitimidade ativa das entidades de classe e confederações sindicais em ações de controle concentrado a correlação direta entre o objeto do pedido de declaração de inconstitucionalidade e os objetivos institucionais da associação. A mera potencialidade geral de dano não é suficiente para estabelecer relação de pertinência temática”, afirmou, ao votar pela extinção da ação sem resolução de mérito.

Esta é a segunda manifestação favorável ao Estado sobre o assunto – a primeira decisão é de setembro e na ocasião, o relator havia negado o pedido para suspender a iniciativa. Com isso, o programa está mantido.

 

Foto: Divulgação/PGE