22 de maio de 2026
TVBV ONLINE
Cotidiano

‘Deus foi nosso cupido’: casal de noviças conta como se conheceu em convento

Foto: Arquivo pessoal/BBC News Brasil
Elas iam ser freiras, mas não iam com a cara uma da outra; hoje são casadas e seguem uma nova ‘missão’ de vida

Uma história de amor digna de um romance clássico ao estilo enemies-to-lovers, mas que começou no mais improvável dos cenários: um convento em Minas Gerais. Foi lá onde Francília Costa e Luiza Silvério se conheceram e deram início à história que terminou em casamento e um novo senso de “missão” de vida. Elas contaram a histórias delas ao repórter Ian Alves, da BBC News Brasil.

“Por incrível que pareça, se existe cupido no mundo, o nosso foi Deus”, diz Fran. Essa história, no entanto, passa longe de um amor à primeira vista. “Sabe quando você não vai com a cara da pessoa? Tipo, sem motivo algum?”, contou a jovem à reportagem. O sentimento era correspondido por Luiza, que lembra com bom humor sua reação ao ver a colega de hábito pela primeira vez: “Caramba, que freirinha metida, que freirinha nojenta!”

> Siga nosso canal no WhatsApp e receba as notícias do TVBV Online em primeira mão

As duas decidiram entrar no convento por volta dos 20 anos por motivos parecidos. Luiza conta que sentia um “vazio” na sua adolescência em Minas Gerais e um chamado para cumprir uma missão. Fran foi criada por avós muito religiosos no interior do Piauí e também sentia que tinha uma missão religiosa na vida.

Tanto Luiza quanto Fran afirmam que já se entendiam como bissexuais na época, mas que isso não influenciou a decisão de entrar para o convento. “Isso não nos levou a ter medo de Deus ou a ter medo de estar ali dentro”, contra Fran. Ainda assim, Luiza diz que queria realmente viver o celibato e seguir sua missão na Igreja.

A antipatia não durou muito tempo e logo as jovens viraram amigas. No entanto, a amizade também não tardou a sofrer um duro golpe da vida. Motivos pessoais e relacionados à saúde mental logo as levaram a abandonarem a vida religiosa. Luiza perdeu a avó materna e começou a enfrentar episódios intensos de ansiedade e um diagnóstico de depressão. Fran, durante a pandemia de Covid-19, passou a lidar com síndrome do pânico, em função do cenário de transmissão do vírus e o grande volume de notícias negativas.

Com o tratamento e o processo de entendimento da própria saúde mental, Luiza entendeu que precisava cuidar de si e decidiu deixar a vida religiosa. Durante as sessões de terapia, Fran também passou a se questionar sobre sua rotina no convento. “A vida religiosa é uma vida muito linda, mas você precisa ter saúde física e mental. Não basta só saber rezar, não basta ter vocação. E naquele ponto em que eu estava vivendo, a minha saúde mental já tinha ido”, diz.

Foi durante trocas em que as duras conseguiram reunir coragem para tomar a decisão de deixar o convento e recomeçar a vida praticamente do zero. “Quando ela decidiu sair, foi para mim um choque. Eu pensei: ‘Meu Deus do céu! Uma menina dessa idade tendo a capacidade de pensar em recomeçar a vida seja onde for e eu não consigo pensar em recomeçar, sendo que eu vivi muito mais fora daqui do que aqui dentro'”, compartilhou Fran sobre o medo de mudar de vida.

Foto: Arquivo pessoal/BBC News Brasil

Mudança de vida

Após deixar a comunidade religiosa, as duas passaram a enfrentar problemas, especialmente relacionados ao dinheiro para pagar aluguel. Por isso, as amigas resolveram dividir um apartamento, e foi aí que um romance começou a ser construído. Fran decidiu abrir o coração para Luiza e descobriu que o sentimento era mútuo. A amizade virou namoro, que acabou em casamento.

A cerimônia não teve a presença de religiosos, embora elas ainda mantenham contato com freis e freiras da época do convento. “Talvez não tenhamos uma foto no altar de uma igreja, mas temos uma foto com Nossa Senhora Aparecida. Para nós, ela representa gratidão, intercessão e a consagração da nossa família a Deus”, diz Luiza. O casório, no entanto, contou com outras amigas ex-freiras que hoje também estão fora da vida religiosa. “Recebemos muito carinho, mensagens e orações dedicadas a nós e ao nosso dia”, conta Fran.

Ambas seguem sendo católicas muito praticantes, e dizem que o senso de missão que fez elas entrarem para o convento agora segue nas redes sociais. Elas compartilham o seu cotidiano e os detalhes dessa trajetória incomum, de ex-freiras a casadas. Além disso, o casal é microempreendedor nas áreas de consultoria documental e marketing digital.

Elas contam que recebem cada vez mais perguntas de pessoas diversas, tanto de cristãos com questões sobre a própria sexualidade, como de pessoas LGBT que têm receio de se aproximar da fé. “Isso começou a fortalecer mesmo esse desejo de falar sobre a nossa história de uma forma aberta, sobre a nossa sexualidade, sobre a nossa fé que fez todo sentido e que hoje ajuda muitas pessoas”, diz Luiza.

Veja como ocorre o golpe do ‘falso advogado’ e como se prevenir contra fraudes

Vítima de Florianópolis recebeu documento de sentença forjado com dados públicos da Justiça

Nos últimos meses, a Polícia Civil e o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) têm lançado ofensivas contra criminosos envolvidos em uma prática criminosa cada vez mais comum em todo o Brasil: o golpe do “falso advogado” ou do “falso precatório”. Na última ocasião, a Operação “Guardião EPROC” cumpriu 12 ordens judiciais em municípios de São Paulo na última quarta-feira (20), contra um grupo criminoso que fez uma vítima em Itapiranga, no Extremo Oeste catarinense.