14 de julho de 2024
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Rodrigo C. Medeiros

Previdência privada – uma boa opção de investimento?

A previdência privada aberta, ou seja, aquelas possíveis de investir em bancos e corretoras, não aquela patrocinada pelas empresas, tecnicamente é um fundo de investimentos. Ter a compreensão disso pode te ajudar a comparar e decidir sobre o seu investimento de forma mais adequada.

Muitas pessoas acabam buscando a previdência privada como uma forma de poupar recursos para a sua aposentadoria, afinal, o nome “previdência” nos remete a isso. É sim uma boa opção de investimento; no entanto, acho essencial ter em mente que ela é apenas mais um fundo que investe os seus recursos aportados.

Em termos de investimentos, investir em uma previdência privada ou investir em um fundo com estratégias semelhantes, ou seja, um fundo de ações, um fundo de renda fixa ou um fundo multimercado, não gerará diferenças no seu retorno patrimonial.

A diferença começa a surgir quando falamos de tributação e de prazo, quando as vantagens passam a surgir para a previdência privada, desde que feito adequadamente para o perfil do investidor.

Há dois tipos de previdência, o PGBL (Plano Gerado de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).

O primeiro permite você lançar as contribuições feitas para o plano como uma despesa no seu imposto de renda, reduzindo o valor a ser pago de imposto ou aumentando o valor a ser restituído de imposto. A regra é que apenas as contribuições de até 12% da sua renda anual podem ser consideradas como despesas.

Para fazer jus a este benefício é necessário que a sua declaração de imposto de renda seja feita no modelo completo.

A contrapartida disso é que quando sacar a sua previdência, tudo será tributado, não importando se é lucro ou principal, tudo sofrerá tributação. Esse detalhe é muito importante, pois muitas pessoas acabam fazendo contribuições para o PGBL, mesmo quando ele excede os 12%, mas dado o modelo de tributação, isso seria muito prejudicial, uma vez que este excedente não teria o benefício fiscal lá atrás e teria uma tributação maior lá na frente, pois ela incide sobre todo o resultado e não só sobre o total.

Para o investidor que faz declaração de imposto de renda completa e tem uma visão de longo prazo, fazer investimentos em plano de previdência privada pelo modelo PGBL já passa a ter uma vantagem fiscal bem interessante frente aos fundos de investimentos tradicionais. Ter este abatimento do imposto de renda aumenta os aportes iniciais e sabemos que quanto mais aportes iniciais tivermos, maior será o poder dos juros compostos.

Agora, para quem não faz declaração completa, não vale a pena fazer este tipo de previdência. Bem como não vale a pena contribuir acima do limite de 12% da sua renda anual.

Além do PGBL, temos também o VGBL. Este não permite você usar as contribuições como despesa dedutível na sua declaração de imposto de renda, logo, não há esta vantagem fiscal.

A contrapartida é que no momento do saque, lá na frente, a tributação vai ocorrer apenas sobre os seus ganhos e não sobre os valores que você também depositou.

Isso pode parecer que não teríamos maiores vantagens sobre os outros tipos de fundos de investimentos, como os de ações e os multimercados, visto que a tributação deles também ocorre apenas sobre o lucro e não sobre o total.

A vantagem, no entanto, existe frente aos fundos multimercados ou fundos de renda fixa, os quais possuem o chamado come-cotas, que é uma tributação duas vezes por ano sobre alguns fundos, cobrando um imposto parcial dos ganhos. Isso reduz o montante acumulado e reduz os ganhos futuros, pois diminui o poder dos juros compostos, aqueles juros que incidem sobre juros, uma vez que o Governo já pegou parte dos seus juros para ele.

Fundos de previdência privada não possuem come-cotas, o que é uma excelente vantagem quando olhamos para o VGBL, para aquele investidor que não faria sentido usar o PGBL. Mas se você estiver avaliando um fundo de previdência privada que investe em ações, estes também não possuem come-cotas, deixando a situação de investir em VGBL ou fundo de ações muito semelhantes.

Assim, como investimento, a previdência privada precisa ser olhada comparativamente como um fundo de investimento, buscando as vantagens existentes para avaliar em qual deles investir. Como vimos, há algumas vantagens fiscais que podem fazer a balança pender mais para a previdência privada. Considere disso na sua tomada de decisão.

Há outras características que podem auxiliar neste comparativo e na tomada de decisão, que é a tabela regressiva e progressiva de imposto de renda, os custos da previdência privada e a questão envolvendo o inventário. Mas isso fica para o nosso próximo artigo.

Foto: Freepik/Reprodução