3 de março de 2024
TV Barriga Verde
Rodrigo C. Medeiros

Rentabilidade real, um conhecimento essencial para os seus investimentos

É muito comum observarmos investidores em busca de investimentos olhando apenas o que chamamos de rentabilidade nominal e esquecendo de olhar para a rentabilidade real, sendo esta última a mais importante.

Mas o que é a rentabilidade real e qual a sua importância?

A rentabilidade real é aquela que o investidor consegue obter acima da inflação. Não adianta de nada nós fazermos um investimento, por exemplo, de R$ 1.000,00 hoje e daqui 20 anos termos R$ 11.000,00, ou seja. 1.000% de retorno, se no período a inflação for de 1.500%, pois esses R$ 11.000,00 não vão comprar o mesmo que os R$ 1.000,00 compravam lá atrás. Afinal, um dos objetivos de investir é abrir mão do consumo hoje, para poder consumir mais no futuro e não o contrário.

Veja o caso dos nossos vizinhos argentinos. Agora em outubro de 2023 o Banco Central da Argentina subiu os juros para 133% ao ano. Se eu olhar só para este retorno nominal, é incrível, mas a inflação acumulada em 12 meses está em 138,30%, com uma expectativa de fechar o ano de 2023 em 170%. Ou seja, a rentabilidade nominal pode até ser de 133% e parecer boa, mas a rentabilidade real será negativa, pois o investimento não consegue sequer compensar a inflação.

 

Assim, a rentabilidade real é o seu verdadeiro ganho. Todo investimento tem risco e, por isso, deveria gerar retornos superiores à inflação, como forma de compensar o risco assumido e proteger o investimento da inflação. Sempre que você olhar para um investimento, cuidado ao olhar apenas a sua rentabilidade nominal, pois ela pode acabar enganando e no final a sua rentabilidade real ser baixa ou até mesmo negativa.

A poupança é um dos mecanismos de poupança – não gosto de chamar de investimento – mais tradicionais dos brasileiros. Nos últimos 20 anos a sua rentabilidade acumula 310% de valorização; no entanto, o seu ganho real é de aproximadamente 1,5% real ao ano, ou seja, um pequeno ganho acima da inflação.

Já um CDB de banco que rendesse 85% do CDI no período, teria gerado um ganho líquido de imposto de renda de aproximadamente 397% nesses últimos 20 anos, o que nos daria 2,50% de ganho real ao ano. Nesse ponto, importante sempre comparar também com os ganhos líquidos de impostos, pois este é o retorno real do investidor.

Se pegarmos períodos mais curtos de tempos, podemos encontrar janelas que esses investimentos não tenham nem conseguido proteger o seu dinheiro da inflação. Por exemplo, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022, um período de inflação elevada no Brasil, a poupança rendeu 21,07%, um investimento em CDB de 85% do CDI rendeu 14,62% líquido de impostos, enquanto a inflação no período foi de 21,68% (02/01/2020 a 30/12/2022). Ou seja, esses instrumentos financeiros não protegeram o investidor da inflação.

É por isso que no universo dos investimentos é tão importante ter cuidado com taxas de retorno a juros fixos e dar muito valor a taxas de retornos que estejam atreladas a algum índice de inflação, principalmente para quem não tem tempo de acompanhar o mercado e entender as expectativas de inflação e juros dos períodos futuros, com base no que ocorre na economia.

E é por isso, também, que no mercado financeiro costumamos dizer que ter um retorno real líquido de 6% ao ano é muito, mas muito difícil, pois nem mesmo títulos do Governo que pagam 6%+IPCA conseguem gerar esta rentabilidade, em razão dos impostos que incidem sobre o retorno total, juros e inflação, reduzindo consideravelmente o retorno real líquido.

Assim, a partir de agora, sempre que você for olhar um investimento, busque entender qual será o seu retorno real líquido e não olhe só para o retorno nominal apresentado. Além disso, desconfie de quem lhe promete retornos reais líquidos acima de 6% ao ano, pois é uma meta muito difícil de ser alcançada de forma consistente ao longo dos anos.

Foto: Freepik/Reprodução

Rodrigo C. Medeiros

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